• ALE GOMES

MODA.DOC AMÉRICA LATINA

Atualizado: 7 de Ago de 2020



Por Rodrigo Müller


O problema da moda (social, ambiental e econômico) é complexo e se estende por todo o mundo. Ele envolve desde as camadas mais baixas da sociedade até a mais alta. Mas a moda também é simples porque mostra o quanto estamos conectados. 

Nos últimos 100 anos a indústria da moda passou de uma produção local em baixa escala para a produção em massa. Com a globalização criou-se um modelo de negócio mundial. Com frequência, o tecido é fabricado em um país, tingido em outro, as roupas são fabricadas onde houver o menor custo possível e então vendidas no mundo todo. Este modelo (fast fashion) mudou completamente a indústria da moda. Tanto, que entre os anos de 2000 e 2010 o consumo de tecido no mundo cresceu 47%. O relatório de 2013 do “Danish Fashion Institute” apontou a indústria da moda como uma das maiores poluidora do planeta. Segundo estudo de Mark Anthony Browne, publicado na revista Environmental Science & Technology, “fibras de poliéster, acrílico, polipropileno, polietileno e poliamida contaminam áreas costeiras em escala global, especialmente áreas densamente povoadas e habitadas”. Em pesquisa feita por Daniel Habib (estudo publicado na revista Water, Air, and Soil Pollution) diz que fibras encontradas em seu estudo tiveram origem no afluente de processos de lavagem de roupa e que não foram retidas pelo sistema de tratamento de esgoto. Fletcher e Grose (2011, p. 85) destaca que “90% das roupas são jogadas fora antes do fim de sua vida útil”. Em termos socioeconômicos, temos também vários dados negativos e denúncias que apontam a existência de trabalho similar à escravidão na fabricação de roupas. Essas e outras razões anunciam o caráter urgente de uma mudança geral de nosso modo de consumo de moda. 

Felizmente, em contrapartida, há muitas outras iniciativas positivas acontecendo mundo afora. O que pode ser chamado de “eco-fashion” não é mais uma tendência passageira. É um movimento que veio para ficar. Na London Fashion Week, há um espaço ético chamado “Esthetica”, que oferece oportunidade para estilistas que praticam a moda sustentável. 

A Paris Fashion Week também abriu as portas para a moda ética, com o espaço “So Ethic”. Outra feira aberta ao público, em Berlim, na Alemanha, é a Ethical Fashion Show e o Greenshowroom, apresentando desfiles com marcas de moda sustentável. Na mesma época do New York Fashion Week, acontece a Limited Edition New York, que busca mobilizar a indústria da moda a favor da moda sustentável. A Semana de Moda de Milão também está apostando na sustentabilidade. A Connect4Climate, grupo de associações patrocinado pelo Banco Mundial e apoiado pela ONU, anunciou um concurso para desenvolver ideias sustentáveis para diversas cadeias produtivas da moda. 

No Brasil também já foram criados projetos durante a São Paulo Fashion Week e o Fashion Rio. A Raiz Diseño atua de forma efetiva em toda a América Latina, promovendo interação entre marcas de moda sustentável e o artesanato. Existem inúmeras marcas trabalhando em conjunto com o artesanato local, marcas trabalhando com matéria prima orgânica e tintura orgânica e muitas outras marcas trabalhando com reaproveitamento de material. Elas estão espalhadas por toda a América Latina. 

Hoje é urgente realizar um trabalho de educação e sensibilização para o público em geral e desenvolver a noção de consumo consciente. O consumidor deve sair da influência das mídias e começar a se dar o direito de questionar, pesquisar, escolher e pedir. É ele que, de certa forma, tem o verdadeiro poder. Eletem o poder da “demanda” e o mercado busca res

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo