• ALE GOMES

Sustentabilidade vs Greenwashing


Por Valéria Rosso



A globalização, e com ela o sistema de fast fashion, não surge livre de impactos ambientais e sociais relacionados à exploração de mão de obra barata em países subdesenvolvidos. Cada vez mais consumidores e clientes, bem como a Geração Z e os Millenials, estão exigindo que as marcas ajam de forma responsável. Existe a compreensão de que o consumo não se trata apenas de uma questão financeira – é uma questão ética.  

Compreendemos sustentabilidade como um mecanismo autônomo que possui tudo aquilo que lhe é necessário para sua auto sobrevivência. Em uma relação com a moda, o termo sustentabilidade foi adaptado ao cenário de projetos “ecologicamente corretos”, designando ações e produtos que demonstram preocupação com o meio ambiente e consequentemente com o futuro do planeta.

Embora muitas empresas estejam verdadeiramente dedicadas a se tornarem mais sustentáveis e éticas, há quem aproveite o movimento sem a real intenção. O que deveria representar um compromisso com o ambiente para muitas marcas se tornoutrending.

O mercado está repleto de uma grande variedade de marcas com apelos ecológicos diferentes e que pode provocar confusão e frustração por parte dos consumidores. Coleções “sustentáveis” das cadeias de fast fashion como C&A's "Wearthe change"; Zara's "Join life" ou H&M's "Conscious”; essas empresas por meio de aauto declarações, passam a mensagem correta, entregam moda barata e consciência ambiental. Mas será assim tão simples?

Na década de 80, o termo Greenwashing começou a ser utilizado para descrever companhias que promoviam um discurso ambiental, porém suas mensagens estavam longe de cumprir os propósitos de sensibilização do consumidor. Utilizando de expressões como “ecológico”, “amigo do ambiente”, “natural”, “orgânico”, “consciente” para ações de marketing quando na verdade seus atributos não eram verdadeiramente ecológicos.

Muitas vezes, as empresas afirmam que estão trilhando um caminho verde e isso pode significar, mudar alguns materiais para algodão orgânico enquanto, continuam distribuindo mercadorias pelo mundo ao redor sem se preocupar com as emissões de carbono, produzindo roupas com pouca durabilidade além de terceirizar a produção em países com mão de obra mais barata e políticas fiscais mais atraentes.

Algodão orgânico certamente é um passo na direção certa, não é transgênico e não é permitido o uso de pesticidas, mas representa uma pequena parte do setor que interage com outras estruturas fundamentais no processo de produção. Seja na geração de emprego, atuando no comportamento social ou movimentando a economia oscuidados na indústria da moda também incluem minimizar o uso de químicos poluentes, gerenciamento do uso de água, direitos humanos, salários compatíveis e proteção aos trabalhadores.

Repensar o processo de produção e os materiais que são utilizados é essencial para que as marcas desenvolvam novas soluções, inovações técnicas e modelos cada vez mais sustentáveis.

Em agosto de 2019, em Biarritz, em uma reunião do G7 foi apresentado o Fashion Pact, acordo que foi assinado por 32 empresas têxteis, representantes de cerca de 150 marcas e 30% de toda a indústria. Numa lista que inclui nomes como Burberry, Chanel, Salvatore Ferragamo, Hermès, Giorgio Armani, Moncler e Stella McCartney, e importantes grupos como o H&M Group e o Grupo Prada.

As empresas que assinaram o pacto se comprometeram a estabelecer uma série de metas com o objetivo de controlar os efeitos do aquecimento global e alcançar emissões neutras de carbono até 2050. É esperado que até 2030, seja possível restaurar os ecossistemas ameaçados pela atividade da indústria da Moda e reduzir a poluição dos oceanos eliminando o uso de plásticos.

A verdadeira mudança está em quem tem o poder de compra, os consumidores precisam prestar atenção no que estão comprando, consumindo menos, preferindo roupas de longa duração, comprando roupas de segunda mão, reparando uma roupa danificada ou simplesmente customizando aquela peça esquecida no armário

Talvez assim, sustentabilidade seja mais que uma moda.

Ilustração: Margarida Fleming

227 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo